quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

China estuda fusão de estatais de petróleo

The Wall Street Journal - link aqui


A China está cogitando a realização de megafusões entre suas enormes petrolíferas estatais, na tentativa de criar novos gigantes nacionais capazes de enfrentar empresas como a Exxon Mobil Corp. XOM -1.32% e gerar eficiências numa época de preços em queda.
A pedido dos líderes chineses, consultores econômicos do governo estão conduzindo estudos de viabilidade das opções para uma consolidação, dizem autoridades do governo a par da pesquisa. Uma das opções, dizem essas fontes, inclui a possível união das maiores companhias de petróleo do país: a China National Petroleum Corp., ou CNPC, e sua principal concorrente no mercado doméstico, a China Petrochemical Corp., ou Sinopec. Outra possibilidade seria a fusão das outras duas grandes petrolíferas, a China National Offshore Oil Corp., ou Cnooc, e a Sinochem Group.
Não foi fixado nenhum prazo para que seja decidido se ou quando serão realizadas as várias propostas de fusão, dizem as autoridades. Porta-vozes das quatro companhias e da Comissão de Administração e Supervisão de Ativos, o órgão do governo que supervisiona as maiores estatais da China, não quiseram comentar ou não responderam a solicitações de comentário.
As potenciais fusões podem ser a mais recente consolidação de estatais liderada pelo governo na tentativa de relançar a desacelerada economia chinesa numa nova fase de crescimento. Como parte do esforço, o presidente Xi Jinping, já há mais de dois anos no posto, está tentando reformar as principais estatais para torná-las mais competitivas globalmente.
Embora o governo já tenha dado alguns passos experimentais para permitir a injeção de mais capital estrangeiro privado nos setores de infraestrutura, matérias-primas, bancário e outros há muito dominados pelas estatais, Xi disse em algumas ocasiões que as empresas estatais continuam sendo um “importante pilar da economia nacional”. O governo “deve garantir que elas prosperem”, disse Xi em agosto. Estatais maiores e mais fortes, diz uma autoridade familiarizada com a forma de pensar dos líderes chineses, são consideradas essenciais para que a China recupere sua posição de proeminência no mundo.
As fusões também podem ampliar a eficiência em uma economia cada vez mais afetada por excesso de capacidade — um problema que tem levado os fabricantes chineses a competir entre si com cortes de preços. No fim de 2014, o governo anunciou um plano de fusão das duas principais estatais que fabricam vagões ferroviários, com o objetivo de tornar a empresa resultante capaz de concorrer com a alemã Siemens AGSIE.XE +0.86% e com a canadense Bombardier Inc. BBD.B.T -1.94%
As quatro petrolíferas — CNPC, Sinopec, Cnooc e Sinochem — já dominam todas as etapas do setor há tempos. Durante anos, cada uma se especializava numa área geográfica ou de negócios. A CNPC, por exemplo, concentrou-se na exploração e produção, e a Sinopec no refino do petróleo. Nos últimos 15 anos, em resposta a planos anteriores para incentivar a concorrência, elas se expandiram nos territórios umas das outras, criando sobreposições em áreas como exploração, refino e gás.
“Elas brigam cada vez mais entre si”, diz uma das autoridades a par do plano atual de consolidação. “Isso provocou muito desperdício e ineficiência.”
Com os preços internacionais do petróleo caindo pela metade em menos de um ano, esses problemas se tornaram mais pronunciados, dando às reformas um novo senso de urgência. Combinar e depois enxugar as operações das maiores petrolíferas chinesas pode ajudar a reduzir os desperdícios causados por mão de obra e projetos redundantes, dizem autoridades. Uma empresa única pode se tornar melhor capitalizada para competir globalmente.
Os preços baixos do petróleo vêm gerando rumores de possíveis aquisições internacionais de petrolíferas mais debilitadas. Entre os maiores negócios de 2014 está a compra da canadense Talisman Energy TLM.T -0.21% pela espanhola Repsol SA,REP.MC +0.44% por US$ 8,3 bilhões.
“Queremos criar uma grande marca chinesa para competir melhor no exterior”, diz a autoridade chinesa. “Queremos nossa própria Exxon Mobil.”
A possível fusão iria coroar um período agitado no setor de petróleo da China. As grades estatais — principalmente a CNPC — têm sido foco de uma campanha anticorrupção liderada pelo presidente Xi. Executivos importantes do setor foram detidos por suspeita de corrupção e o aumento da vigilância ajudou a provocar uma retração nos novos investimentos.
A potencial consolidação do setor, porém, que tornaria ainda maiores estatais que já são enormes, pode acabar prejudicando a concorrência doméstica e a realização de reformas favoráveis ao mercado, dizem alguns analistas. Não está claro se a possível consolidação seria acompanhada de reformas, como a redução das barreiras que marginalizaram petrolíferas independentes.
O governo chinês já começou a abrir o setor de petróleo para o capital privado. Em 2014, a Sinopec vendeu quase 30% de sua unidade de marketing e postos de combustível para um grupo de 25 investidores, quase todos chineses. Nenhuma das iniciativas atuais, entretanto, inclui a venda de participações controladoras para o setor privado.

Grécia deve pedir hoje à União Europeia extensão de socorro financeiro

Do Wall Street Journal. Link aqui

A Grécia deverá pedir hoje uma extensão de seu acordo de socorro financeiro com o restante da zona do euro, disse uma autoridade governamental com conhecimento da situação. Isso caracterizaria uma aparente mudança no impasse entre Atenas e seus credores, que colocou em dúvida o futuro do país na união monetária europeia.
A extensão poderá ser por um período de quatro a seis meses, para evitar que o acordo de empréstimo em andamento expire no fim deste mês, afirmou a fonte, acrescentando que as condições do pedido ainda estão em negociação.
Os comentários vieram logo após o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, ter pronunciado um discurso desafiador no Parlamento, em Atenas, dizendo que seu governo iria tomar iniciativas para cancelar imediatamente as reformas impostas pelo programa de socorro e apelando para que os líderes europeus realizassem uma reunião de cúpula extraordinária sobre as necessidades de financiamento de seu país.
Na segunda-feira, os ministros das Finanças dos países da zona do euro deram um ultimato para que a Grécia solicite uma prorrogação [do pacote de socorro], após a suspensão abrupta das negociações sobre quais condições poderiam ser acrescentadas a um novo programa de ajuda.
Até agora, o governo grego vem insistindo em que os cortes orçamentários e as reformas econômicas impostos pelos termos do atual pacote de socorro financeiro de 240 bilhões (mais de US$ 270 bilhões) estão prejudicando a economia e sociedade do país e que os ministros das Finanças da união monetária não ofereceram uma margem de manobra suficiente para a implementação dessas medidas.
O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, disse esperar a aprovação de um acordo entre a Grécia e a zona do euro para uma extensão [da ajuda]. “É minha opinião ponderada que chegaremos a um texto com que todos estarão de acordo”, disse Varoufakis em breve entrevista por telefone, apesar das negociações dos últimos dias com seus colegas na zona do euro, que ele descreveu como “turbulentas”.
Embora o pedido de extensão do programa atual venha a assinalar uma guinada nas posições do governo grego, ele enfrentará obstáculos. Depois das conversações na segunda-feira, os ministros das Finanças da zona do euro definiram vários pré-requisitos para considerar uma extensão. Entre eles está uma promessa, por parte da Grécia, de não reverter nenhuma das medidas já implementadas nos termos do acordo de socorro vigente e de coordenar quaisquer novas iniciativas com seus credores. Os ministros também querem do governo grego a promessa de que suas dívidas para com a zona do euro serão honradas integralmente.
Em seu discurso ontem no Parlamento, Tsipras pareceu contradizer algumas dessas exigências e reiterou os planos de seu governo no sentido de abolir imediatamente medidas de austeridade já implementadas, como mudanças nas leis trabalhistas.
“Nós não estamos recuando um único passo sequer de nossas promessas básicas ao povo grego, nem um passo para trás de nossas promessas de campanha eleitoral”, disse Tsipras.
Sem uma extensão da ajuda vigente, a partir de 1 de março a Grécia ficará sem a ajuda, da zona do euro e do Fundo Monetário Internacional, que mantém o país à tona há quase cinco anos. Muitas autoridades e analistas temem que isso poderia colocar em risco o futuro da Grécia na união monetária europeia, especialmente se não houver um plano claro para uma extensão da ajuda com a zona do euro.
Autoridades gregas disseram nas últimas semanas que o governo corre o risco de ficar sem dinheiro já no início de março, especialmente se não houver uma recuperação das cada vez menores receitas fiscais.
Nesse ponto, a Grécia não teria mais condições de arcar com o custo de serviços governamentais, como pagamento de aposentadorias e do salários do funcionalismo público — e poderia até mesmo deixar de honrar empréstimos do FMI que vencem nos próximos meses.
Existem também preocupações de que as incertezas em torno do futuro financeiro do país possam pressionar ainda mais cidadãos e empresas a retirar dinheiro de bancos gregos, possivelmente desencadeando uma corrida aos bancos que não poderia mais ser contida pelo banco central da Grécia.
Numa coletiva de imprensa ontem à tarde, poucas horas antes do pronunciamento de Tsipras, em Atenas, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, admitiu que a saída da Grécia da zona do euro é uma possibilidade.
“Nós todos queremos que a zona do euro permaneça unida”, disse Schäuble. “Mas todos têm de contribuir com a sua parte. É uma decisão [o acordo] que cabe inteiramente a Atenas“.
Tsipras também pediu que os líderes da zona do euro envolvam-se nas negociações, dada a gravidade da situação. “A negociação com nossos parceiros não é uma questão técnica, mas profundamente política. É por isso que elas não podem ser resolvidas em poucas horas“, disse o premiê. “A solução para o impasse [entre os ministros das Finanças] não virá de tecnocratas, mas dos líderes políticos europeus.”
Até agora, o restante da zona do euro rejeitou envolver chefes de Estado e de governo nas negociações sobre a Grécia, dizendo que a questão deve permanecer nas mãos do grupo formado pelos ministros de Finanças.
Na segunda-feira à noite, após suspender abruptamente as conversações entre os ministros em Bruxelas, Jeroen Dijsselbloem, o ministro das Finanças holandês que preside as reuniões com seus colegas da zona do euro, disse não haver planos para um encontro de cúpula especial. Essa postura foi confirmada ontem por diversos ministros.

A Escola do Mundo

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