China estuda fusão de estatais de petróleo
The Wall Street Journal - link aqui
A China está cogitando a realização de megafusões entre suas enormes petrolíferas estatais, na tentativa de criar novos gigantes nacionais capazes de enfrentar empresas como a Exxon Mobil Corp. XOM -1.32% e gerar eficiências numa época de preços em queda.
A pedido dos líderes chineses, consultores econômicos do governo estão conduzindo estudos de viabilidade das opções para uma consolidação, dizem autoridades do governo a par da pesquisa. Uma das opções, dizem essas fontes, inclui a possível união das maiores companhias de petróleo do país: a China National Petroleum Corp., ou CNPC, e sua principal concorrente no mercado doméstico, a China Petrochemical Corp., ou Sinopec. Outra possibilidade seria a fusão das outras duas grandes petrolíferas, a China National Offshore Oil Corp., ou Cnooc, e a Sinochem Group.
Não foi fixado nenhum prazo para que seja decidido se ou quando serão realizadas as várias propostas de fusão, dizem as autoridades. Porta-vozes das quatro companhias e da Comissão de Administração e Supervisão de Ativos, o órgão do governo que supervisiona as maiores estatais da China, não quiseram comentar ou não responderam a solicitações de comentário.
As potenciais fusões podem ser a mais recente consolidação de estatais liderada pelo governo na tentativa de relançar a desacelerada economia chinesa numa nova fase de crescimento. Como parte do esforço, o presidente Xi Jinping, já há mais de dois anos no posto, está tentando reformar as principais estatais para torná-las mais competitivas globalmente.
Embora o governo já tenha dado alguns passos experimentais para permitir a injeção de mais capital estrangeiro privado nos setores de infraestrutura, matérias-primas, bancário e outros há muito dominados pelas estatais, Xi disse em algumas ocasiões que as empresas estatais continuam sendo um “importante pilar da economia nacional”. O governo “deve garantir que elas prosperem”, disse Xi em agosto. Estatais maiores e mais fortes, diz uma autoridade familiarizada com a forma de pensar dos líderes chineses, são consideradas essenciais para que a China recupere sua posição de proeminência no mundo.
As fusões também podem ampliar a eficiência em uma economia cada vez mais afetada por excesso de capacidade — um problema que tem levado os fabricantes chineses a competir entre si com cortes de preços. No fim de 2014, o governo anunciou um plano de fusão das duas principais estatais que fabricam vagões ferroviários, com o objetivo de tornar a empresa resultante capaz de concorrer com a alemã Siemens AGSIE.XE +0.86% e com a canadense Bombardier Inc. BBD.B.T -1.94%
As quatro petrolíferas — CNPC, Sinopec, Cnooc e Sinochem — já dominam todas as etapas do setor há tempos. Durante anos, cada uma se especializava numa área geográfica ou de negócios. A CNPC, por exemplo, concentrou-se na exploração e produção, e a Sinopec no refino do petróleo. Nos últimos 15 anos, em resposta a planos anteriores para incentivar a concorrência, elas se expandiram nos territórios umas das outras, criando sobreposições em áreas como exploração, refino e gás.
“Elas brigam cada vez mais entre si”, diz uma das autoridades a par do plano atual de consolidação. “Isso provocou muito desperdício e ineficiência.”
Com os preços internacionais do petróleo caindo pela metade em menos de um ano, esses problemas se tornaram mais pronunciados, dando às reformas um novo senso de urgência. Combinar e depois enxugar as operações das maiores petrolíferas chinesas pode ajudar a reduzir os desperdícios causados por mão de obra e projetos redundantes, dizem autoridades. Uma empresa única pode se tornar melhor capitalizada para competir globalmente.
Os preços baixos do petróleo vêm gerando rumores de possíveis aquisições internacionais de petrolíferas mais debilitadas. Entre os maiores negócios de 2014 está a compra da canadense Talisman Energy TLM.T -0.21% pela espanhola Repsol SA,REP.MC +0.44% por US$ 8,3 bilhões.
“Queremos criar uma grande marca chinesa para competir melhor no exterior”, diz a autoridade chinesa. “Queremos nossa própria Exxon Mobil.”
A possível fusão iria coroar um período agitado no setor de petróleo da China. As grades estatais — principalmente a CNPC — têm sido foco de uma campanha anticorrupção liderada pelo presidente Xi. Executivos importantes do setor foram detidos por suspeita de corrupção e o aumento da vigilância ajudou a provocar uma retração nos novos investimentos.
A potencial consolidação do setor, porém, que tornaria ainda maiores estatais que já são enormes, pode acabar prejudicando a concorrência doméstica e a realização de reformas favoráveis ao mercado, dizem alguns analistas. Não está claro se a possível consolidação seria acompanhada de reformas, como a redução das barreiras que marginalizaram petrolíferas independentes.
O governo chinês já começou a abrir o setor de petróleo para o capital privado. Em 2014, a Sinopec vendeu quase 30% de sua unidade de marketing e postos de combustível para um grupo de 25 investidores, quase todos chineses. Nenhuma das iniciativas atuais, entretanto, inclui a venda de participações controladoras para o setor privado.